gabrielsts21
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A porta que eu não sabia que existia
Durante muito tempo eu achei que os sonhos eram lugares onde encontrávamos respostas.
Hoje penso que, às vezes, eles são lugares onde encontramos perguntas que estavam esperando por nós.
Ela apareceu em um sonho.
Não era a primeira vez.
Em meio a tantas imagens que a memória poderia ter escolhido guardar, ficaram pequenos detalhes: uma mesa, minha família, uma comida simples feita por mim, um banco de praça, a sensação dos seus cabelos tocando meu rosto enquanto ela me dizia coisas que eu precisava ouvir.
Eu não lembrava das palavras.
Mas lembrava do sentimento.
Eu estava em paz.
A pergunta veio antes da interpretação:
Por que ela?
Por que alguém que não conhecia profundamente minhas dores aparecia justamente no lugar onde eu me sentia compreendido?
Eu procurei o significado do sonho como quem procura uma chave perdida. Só depois percebi que talvez eu estivesse procurando a chave de uma porta que sempre esteve dentro de mim.
Muito antes daquele sonho, eu já havia escrito sobre uma casa amarela.
Era uma imagem perdida entre versos, uma janela, algumas árvores, uma promessa feita em uma canção. Eu achava que aquela casa era um lugar para onde eu iria um dia.
Talvez com alguém.
Talvez ao lado de alguém.
Mas, aos poucos, comecei a perceber que a casa não era um destino.
Era uma origem.
Era o lugar onde moravam minhas lembranças, minhas músicas, minha família, minhas dores, minhas esperanças e tudo aquilo que eu ainda estava aprendendo a amar em mim.
Ela não construiu essa casa.
Ela apenas apareceu diante da porta quando eu finalmente estava pronto para abri-la.
E foi assim que comecei a entender o enigma.
Eu não estava tentando descobrir por que sonhava com ela.
Eu estava descobrindo quem eu era quando ela aparecia.