BenTomaz
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Faye Peraya passou doze anos construindo uma vida longe de Valedouro e se convencendo de que nunca precisaria voltar. Até a morte da mãe obrigá-la a retornar à pequena cidade que deixou para trás, com um único plano: resolver o inventário, vender a casa e partir antes que antigas lembranças a alcançassem.
O que Faye não esperava era descobrir que, durante todos aqueles anos, a vida da mãe continuou sem ela.
E parte dessa vida tinha um nome.
Atom.
Doce sem ser ingênua, independente e serena de um jeito que irrita Faye com facilidade, Atom perdeu a visão aos vinte e um anos, mas nunca permitiu que a cegueira limitasse sua vida. Ela e Araya se mudaram para a casa ao lado pouco depois da partida de Faye e, com o tempo, tornaram-se parte da rotina da família.
Agora, Atom conhece histórias sobre a mãe de Faye que ela nunca ouviu, guarda lembranças que ela não viveu e, por desejo de Araya, tem o direito de permanecer no pequeno anexo nos fundos da propriedade que Faye pretende vender.
Para Faye, Atom é apenas mais uma complicação deixada pela mãe.
Para Atom, Faye é uma mulher difícil, controladora e grosseira o bastante para transformar qualquer conversa em confronto.
Mas, entre caixas sendo fechadas, cartas antigas e os últimos vestígios de uma vida precisando de destino, Faye começa a perceber que talvez tenha voltado a Valedouro carregando muito mais do que documentos para assinar.
Entre folhas secas sob os pés, fotografias que Atom nunca verá e sentimentos que Faye prefere ignorar, duas mulheres que lidam com a perda de formas diferentes começam, aos poucos, a encontrar uma na outra algo que não estavam procurando.
Porque algumas coisas desaparecem quando o outono chega.
Outras apenas caem para abrir espaço para o que precisa nascer.