giaylopez
Agustín Giay sempre foi o garoto exemplar. O jovem certinho que cumpria todas as regras, que agradava todos ao seu redor sem nunca dar um passo errado. Mas, por trás daquela casca perfeita, havia uma sede incontrolável pelo proibido e o proibido tinha nome, quase dois metros de altura, uma aura de rebeldia perigosa e o olhar provocante de Flaco López.
Diziam que ele não prestava. Nas rodas de conversa, nos corredores do vestiário, nos avisos velados que os colegas mais velhos faziam questão de sussurrar perto de Agustín.
"Cuidado com o Flaco", alertavam. "Ele é um garoto mau, é perigoso, só quer diversão passageira e vai te meter em encrenca."
Se a mãe de Agustín soubesse metade das histórias que circulavam sobre a reputação noturna de José Manuel López - a atitude debochada, os passeios de carro em alta velocidade nas madrugadas, a postura de quem desafiava qualquer autoridade - ela teria proibido o filho de passar a menos de dez metros dele.
Mas havia um problema que ninguém conseguia enxergar: Agustín simplesmente não se importava.
Pelo contrário. Cada aviso servia apenas para acender um incêndio lento no peito do jovem lateral. A imagem de menino bom, certinho e obediente já parecia uma armadura apertada demais para o seu corpo. Ele estava cansado de ser o bom moço que fazia tudo o que esperavam dele. E Flaco López era a personificação perfeita do abismo - um abismo alto, atraente e com um sorriso de canto de boca que fazia os joelhos de Agustín fraquejarem.