Skellegher
Por longos e longos anos, pessoas do mundo inteiro acreditavam que o horizonte era uma janela para o nosso futuro. Uma espécie de vislumbre, que podia ser visto por diferentes olhos, distintas pessoas, e que cada uma possuía uma divergente concepção do que poderia ser o nosso amanhã. Jean-Paul Sartre uma vez disse: "Somos inteiramente responsáveis por nosso passado, nosso presente e nosso futuro." Infelizmente, algumas escolhas tomadas levaram o mundo á um caminho obscuro, revelando que Sartre realmente tinha razão. E no final, a humanidade ainda comete os mesmos erros que lhe condenaram durante toda a sua existência, sempre se escondendo atrás de supostos culpados por sua própria decadência. Agora, o horizonte converteu-se em uma janela para o passado, um cenário de antigos fantasmas que ainda queimam em meio as guerras que destruíram tudo o que em milhares de anos foi construído. Ainda é possível ouvir os gritos plangentes, as lamentações agonizantes, e até mesmo as orações que nunca foram ouvidas. Restou-se apenas antigas memórias do nossa própria penitência, ruínas do que um dia foi a riqueza e prosperidade dos antigos, um cataclismo gerado pela ganância e sede de poder. A esperança, desfeita ao vento, e que ainda sim sopra as cinzas de uma terra escrava. Dentro de uma escuridão absoluta, resta apenas o silêncio de milhões de almas que se perderam em seu próprio vazio. Umas das poucas certezas, é que estamos cada vez mais perto do abismo que nós mesmos cavamos. Por sorte, há sempre um anjo na beira do precipício.