cahautora
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Eles já foram tudo um para o outro. Amantes, companheiros, melhores amigos, cúmplices de sonhos e de planos que pareciam caber em uma vida inteira.
Mas, às vezes, o amor não é suficiente para manter duas pessoas caminhando na mesma direção.
Ela sempre foi intensa, inquieta, cheia de vontade de viver o mundo com as próprias pernas. Durante anos, construiu uma vida ao lado dele em outros países, dividindo a rotina, os desafios e os pequenos momentos que fazem um relacionamento florescer. Ainda assim, dentro dela crescia um chamado impossível de ignorar: o desejo de voltar para casa, para o Brasil, para suas raízes, para a versão de si mesma que ela sentia ter deixado para trás.
Ele a amava, profundamente. E talvez por isso mesmo soubesse que não podia insistir para que ela ficasse.
Não houve traição. Não houve gritos, nem portas batendo. Houve silêncio, conversas longas na madrugada, lágrimas discretas e a dolorosa compreensão de que, apesar do amor que ainda existia, ele não podia impedi-la de querer viver seus sonhos e planos.
Então eles se divorciaram. Não porque deixaram de se amar. Mas porque, às vezes, amar também significa deixar o outro seguir o próprio caminho.