Asarakura
Seria cômica, se não fosse trágica, a morte de Soraia.
Tão simples quanto cruel. Aconteceu ainda na juventude: ela, um cavalo, um tombo grande - e então a escuridão. Densa. Absoluta. Silenciosa.
Por um instante, houve paz.
Então veio a luz.
Não suave, não reconfortante, mas invasiva, como um chamado que não admitia recusa. Com ela, a promessa: a oportunidade de voltar à vida, de existir outra vez, ainda que não plenamente - dividir um corpo, habitar uma outra pessoa, respirar por pulmões que não lhe pertenciam.
Aceitou.
Nem sempre a luz é misericordiosa.
Nem toda segunda chance é um presente.
Com o tempo, Soraia entenderia que talvez fosse melhor ter permanecido na escuridão de outrora, onde não havia dor, nem lembranças, nem consciência - apenas o fim.
Aviso ao leitor:
Este escrito contém descrições explícitas de violência.