RGouvea
No turbulento século 19, em uma era marcada por tabus inabaláveis e descobertas científicas audaciosas, havia uma condição que desafiava médicos e desconcertava maridos: a histeria. Para muitos, ela era a explicação universal para o descontentamento, a insônia e a melancolia das mulheres, sintomas que a sociedade patriarcal preferia rotular como caprichos ou fraquezas. Contudo, para alguns homens de ciência, como o jovem doutor Ernest Villefort, esses diagnósticos soavam mais como um reflexo de uma humanidade negligenciada do que como uma doença legítima.
Ernest não era um médico comum. Enquanto seus contemporâneos tratavam a histeria com sangrias e choques elétricos, ele ousava olhar mais fundo - além dos corpos femininos, até suas almas reprimidas e desejos sufocados. Na busca pela cura, Villefort cruzava a delicada linha que separava o cientista do homem, a ética do instinto, e o dever da tentação. Seus métodos, revolucionários e escandalosos, levavam suas pacientes a descobrir algo que muitas nunca haviam ousado imaginar: o prazer.
Dentro do confinamento seguro de seu consultório, as mulheres que chegavam como esposas submissas e infelizes saíam transformadas. Ernest se via diante de um dilema impossível: seria ele um curador ou um explorador? Um herói científico ou um homem vulnerável aos mesmos impulsos que combatia? Cada toque, cada suspiro arrancado de suas pacientes, colocava em xeque não apenas sua ética profissional, mas também sua própria humanidade.
E você? Será capaz de julgá-lo?
Descubra, nesta história, até onde vai o limite entre cura e desejo, ciência e obsessão, e pergunte-se: o bem maior pode justificar a quebra da ética? Amar ou odiar o doutor Villefort será apenas o início de sua jornada através das verdades que ele revelou - e das linhas que ousou cruzar.