diazepams
"[...]As bolhas começaram a surgir em torno de mim. Não tinha mais ar. E não me soltou. Ele, que não parecia jamais perder o fôlego sob a água como se respirasse dela, ele, que sorria de maneira demoníaca e cuja expressão falava de um segredo que só ele conhecia. O jeito com que o mantinha dizia que estava disposto a compartilhá-lo comigo. Presumi, naquele momento, que me queria morta. Meu corpo gritava por oxigênio, e eventualmente a água invadiu meus pulmões. Me preparei para sufocar.
E não sufoquei.
Não sufoquei, não me afoguei. A água invadiu meus pulmões e saiu, naturalmente, como se fosse ar e como se eu mesma tivesse guelras para respirá-la.
"Você e eu," o sorriso dele dizia. "Agora nós compartilhamos a mesma sina."
[...]"