LayonSchultez13
Adalberto sentiu quando o projétil do revolver disparado entrou dilacerando seu tórax, queimou, ardeu, perdeu o ar, ficou meio tonto. Cambaleou até a parede para escorar, mas não tivera forças para sustentar o corpo em pé e foi lançado ao chão com força pelo peso de seu corpo robusto. Bateu a cabeça tão forte que fizera com que o sangue de seu nariz recém quebrado pela queda disparasse filetes de sangue. Tudo ficava distante, vozes de choro, gritos de pavor e passos acelerados. Seu corpo formigava e o frio começou a dominar seu corpo mesmo sendo um dia tão quente.
Em outro lugar distante dali, Marcos de 24 anos chorava por ser incompreendido, por sentir-se um imprestável que estraga tudo, por não se sentir útil para a sociedade e constantemente julgado por familiares e colegas. Marcos sofria de esquizofrenia e naquele momento uma depressão latejante se fundia a sua patologia inicial... então optou por naquela noite cometer suicídio.
Dona Adalgisa, uma senhora de 84 anos se arrependera por ter ingerido alimentos restringidos por seu médico, mas estava revoltada por não poder se deliciar com o banquete que havia dado tanto trabalho para preparar. Agora fumando seu cigarro de número 53 naquele dia em frente a sua janela da sala, sentia fortes pontadas no peito, a garganta com certa dificuldade em engolir saliva e até mesmo respirar. Como era espírita desde a mocidade, compreendeu que estava prestes a partir do mundo dos vivos terrenos, achou sempre que estaria pronta para esse momento e que no fim estaria confiante, mas sentiu medo... Medo de sentir dores agudas, medo do que a esperava no mundo espiritual, medo ao pensar como estaria seu corpo sutil e tristeza por não poder gozar um pouco mais da vida terrena ao menos para ver o sucesso do sobrinho cabeça dura que somente ela acreditava que ele seria um bom homem de sucesso no futuro.