crisrocha023
"Era a primeira neve do ano e alguém havia me convencido que um casal que passasse por ela juntos estava destinado a viverem felizes, eu poderia ignorar todas as tradições coreanas e ir pra casa assistir qualquer coisa na TV, ou talvez pudesse gastar meu dia de folga em um daqueles spas que até hoje não consegui entrar porque o porteiro se recusa a aceitar cupons de descontos de dois anos atrás, mas não, eu estava sentada em um banco de praça olhando um bando de casaizinhos sem graça fingir que namoravam enquanto riam encantados com os flocos de neve.
Meu celular não tocava mais e nem se quer uma mensagem eu recebia, "eles me odeiam", era tudo que eu conseguia pensar, o que me fazia suspeitar que eu estava nesse momento tendo um encontro com a solidão e se tudo funcionasse como diziam por ali, seria esse então o meu destino.
_É Sabrina, os ditados brasileiros também valem - era bom poder falar sozinha sem ser zombada - quem muito quer, nada tem.
Eu sentia uma angustia no coração por tudo que eu os fiz passar, foram muitas reviravoltas e nem sei se um dia eles seriam capazes de me perdoar, eu já não encontrava mais formas de me desculpar, por isso rezava para que o tempo amenizasse tudo. Eu poderia ter escolhido, eu poderia sim, mas tudo aquilo foi se tornando tão intenso dentro de mim que eu nem mesmo sabia se eu queria decidir, eu ainda não seria capaz de escolher, porque eu talvez ainda não tinha sido capaz de conhecer o que era realmente o amor.
_Sabrina - ouvi aquela voz e me virei, era ele, porque ele estava ali? "