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Contexto histórico:
Interior da Inglaterra, meados de 1860. Uma sociedade rígida, profundamente religiosa, onde o papel da mulher é domesticado e qualquer desvio moral é tratado como falha de caráter - ou doença.
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Eleanor Whitcombe, 28 anos. Filha de um reverendo influente. Inteligente, contida, educada para ser exemplo moral. Nunca se casou - o que já começa a levantar suspeitas. Carrega uma rigidez que não é natural, mas construída.
Clara Ashford, 21 anos. Recém-chegada à vila. Prima distante de uma família respeitável, enviada após "um incidente" nunca totalmente explicado. Tem curiosidade demais, sente demais, e não sabe esconder.
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A vila de Ashbourne não era um lugar onde coisas aconteciam. Era um lugar onde as coisas eram escondidas.
Eleanor Whitcombe sabia disso melhor do que ninguém. Ela ensinava as meninas a costurar, a rezar e - discretamente - a calar. Sua voz era suave, mas carregava o peso de quem nunca teve escolha. A casa paroquial onde vivia era silenciosa demais, como se até os pensamentos ali precisassem pedir licença.
Então Clara chegou. Não com escândalo - o que teria sido mais fácil de lidar -, mas com uma presença que perturbava sem explicar por quê. Clara fazia perguntas. Muitas. Sobre livros, sobre cidades, sobre o mundo além dos muros invisíveis daquela vila.