ligia_alencarr
Lea Saito é atormentada, desde a infância, pelo mesmo pesadelo recorrente. Em todas as noites sem lua, ela corre. Corre sem saber de quê, apenas com a certeza visceral de estar sendo caçada por algo que jamais conseguiu nomear. Uma presença sufocante, invisível, mas sempre próxima demais.
Agora adulta, Lea construiu uma vida que deveria ser segura. Um emprego estável. Um noivado com um homem gentil, cuidadoso, que a ama o suficiente para fazê-la acreditar que está protegida. Ainda assim, nada disso foi capaz de conter o início da ruína.
Os sonhos mudaram.
O que antes era apenas medo difuso ganhou forma. Ganhou um rosto.
Um homem que ela jura já ter visto em algum lugar - ou talvez nunca. A lembrança é frágil, distorcida, como um reflexo num espelho quebrado. Ainda assim, seu corpo reage antes da razão, tomado por uma atração inquietante no instante em que seus olhos se encontram.
Olhos vermelhos. Profundos. Antigos.
As cicatrizes que rasgam seu rosto deveriam ser um aviso claro para fugir. Um sinal de perigo. Mas Lea não corre. Não grita. Não desperta. Pelo contrário, ela permanece, paralisada entre o pavor e o desejo, tomada pela necessidade insana de compreender o que aquela presença significa.
Porque, no fundo, Lea sabe.
Aquele ser majestoso não é apenas a fonte de seus sonhos mais aterradores. Ele é algo pior. Ou talvez algo muito mais íntimo. Algo que a acompanha desde sempre - esperando pacientemente o momento em que ela finalmente se lembraria.