SophiaSouza055
Em meados do século XVII
Simone era uma das damas mais conhecidas, com seus 35 anos. Chegava a novas casas com a missão de arrumar pretendentes perfeitos para as filhas da nobreza, sempre mantendo a postura elegante e discreta.
Ela sabia que cada missão exigia cuidado, estratégia e, às vezes, paciência. Mas havia um lado cruel nisso: quando o casamento dava certo, ela automaticamente era obrigada a deixar a casa.
Próximo dali, acontecia um funeral. De longe, Simone observou três meninas ao lado do pai, Miguel Thronicke. A esposa dele acabara de morrer.
Simone sorriu por dentro.
- Três filhas... oportunidade perfeita. Não ficarei sem casa por um bom tempo.
Então começou a estudar sobre a família: lia jornais que falavam sobre eles e perguntava às pessoas se sabiam de algo.
E assim descobriu os nomes das filhas:
Soraya Thronicke; a mais velha, 20 anos. Destemida, dizem que brava igual uma onça, vive cheia de pretendentes, mas não escolhe nenhum.
Sophie Thronicke; a do meio, 17 anos. Alegre, divertida, cheia de amigas, mas dizem que vive com meninos.
Susanna Thronicke; a mais nova, 13 anos. Sozinha, faz brincadeiras pesadas, gosta de bruxaria. Dizem que ela dá medo só de olhar.
Aproximar-se de Soraya para cumprir sua missão revelou-se mais difícil e intrigante do que Simone imaginara. A jovem era perspicaz, astuta e, aos poucos, parecia perceber mais do que deveria. Cada conversa, cada gesto, cada olhar trocado criava uma tensão silenciosa, uma proximidade que Simone não esperava sentir - nem admitir.
E assim, entre a busca pelo pretendente perfeito e a atenção indesejada do pai, um novo sentimento começou a crescer no coração de Simone: um sentimento que jamais havia conhecido, profundo e proibido, por aquela que deveria simplesmente guiar.