faythxs
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TEIA DE MENTIRAS| PENÉLLOPE E DANTE ROY NÃO ERAM pessoas ruins, muito pelo contrário - fariam de tudo um pelo outro, eram a única família que tinham - mesmo que isso significasse ultrapassar leis escritas em gabinetes distantes, leis que nunca chegaram sequer perto das ruas perigosas onde cresceram.
Todos sabiam que o destino de quem morava em Del Passo dificilmente ia além da sobrevivência. O bairro, pequeno demais para tantos problemas, era dominado por gangues, e ninguém esperava algo diferente dos irmãos Roy. Dante sempre foi explosivo, desde criança, impulsivo demais para seguir regras, orgulhoso demais para pedir ajuda, nunca foi exemplo de nada... exceto de como sobreviver com pequenos furtos - o suficiente para garantir que Penéllope tivesse o que comer.
E Penéllope... bem, ela era subestimada, para a maioria, não passava de uma garota que "mostrava demais" - saias curtas, blusas que deixavam o umbigo à mostra, caminhando pelas ruas como se pertencesse àquele caos. Era mais fácil julgá-la do que entendê-la, porque, enquanto olhavam para sua aparência, ignoravam o que realmente importava: Penéllope observava, aprendia, pensava e decorava.
Os dois odiavam o sistema, disso não havia dúvida, mas enquanto Dante canalizou esse ódio para dentro da criminalidade, tornando-se apenas mais um número nas estatísticas... Penéllope escolheu outro caminho. Para ela, conhecimento era poder - e talvez, a única saída real.
Dante foi assassinado, sem testemunhas, sem provas concretas, o celular desaparecido... e apenas uma única mensagem deixada para trás: Me desculpe. O mundo de Penéllope não desabou em lágrimas, não houve tempo para isso, o que veio depois foi mais silencioso. Mais perigoso.
Kimball Cho conhecia bem aquele tipo de olhar. E, quando prendeu Penéllope Roy, só conseguiu sentir uma coisa: Ódio.