phzinha__
Mofo. Eu sentia o cheiro de mofo que provinha daquele cubículo horrendo. O frio que adentrava meus ossos fazia com que eu sentisse buracos na matéria que deveria ser maciça. Minha blusa favorita estava em trapos imundos e ensanguentados, minha cabeça girava tanto, mas não havia o que vomitar - não havia nada em meu estômago. A coceira em minhas cicatrizes, que antes me inundavam com um sentimento amargo e ruim, agora me parecia uma distração da dor sobre-humana que era estar naquele lugar - e isso me assustava. Tudo isso, envolto num grande bolo de merda, era a bigorna que me prensava e alimentava minha angústia. Mas por um momento, o azul me toma de novo. Com uma virada de cabeça, vejo o azul que me perseguiu por tanto tempo - o azul que me intrigava. Aqueles olhos eram sempre raivosos, odiosos e cheios de fogo vivo. Sentia saudades de quando eles transbordavam ódio, em vez de medo; fúria, em vez de desesperança. Eu queria que eles voltassem a sentir algo - mesmo que fosse amargura. Que voltassem a ser vivos.
Que merda.