Giulia_Sabatini
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𝓕𝓲𝓷𝓪𝓵𝓲𝔃𝓪𝓭𝓪
[+𝟏𝟖] LEOWEL BENTLEY JURARA QUE MORRERIA ANTES DE VOLTAR A TOLIP HOLIS. O PROBLEMA ERA QUE A CIDADE PARECERA DISPOSTA A COBRAR-LHE A PROMESSA.
Eram meados de 1791 quando uma nevasca impossível assolara o sul inglês, transformando estradas em sepulturas e agravando o avanço impiedoso da Peste Branca. Em meio a uma Inglaterra que aprendera a conviver com cadáveres, Leowel - um homem demasiadamente cético para conceder espaço à superstição - recebera a única ordem que realmente desejara desobedecer: retornar.
Tolip Holis fora o vilarejo que abandonara anos antes.
O lugar onde deixara pessoas que preferia considerar mortas mesmo quando continuavam respirando.
Onde permanecia Abraham Flintton, seu antigo melhor amigo.
E onde a neve ainda carregava, para Leowel, o rastro destruidor de Thomas James.
Contudo, aquilo que encontrara ao regressar não se parecera inteiramente com o lugar de suas lembranças.
Ou talvez se parecera demais.
No interior da propriedade dos Tolip Holis, conhecera Danessa Holis, uma jovem aristocrata tão fascinante quanto inquietante, cuja maneira de observá-lo carregava a desconfortável familiaridade de alguém que já o conhecia.
O que seria impossível.
Danessa sabia coisas que ninguém lhe contara.
Reconhecia aquilo que jamais deveria ter visto.
Antecipava palavras, gestos e acontecimentos com uma naturalidade que pouco a pouco começara a perturbar até mesmo a mente metódica de Leowel.
E ela não era a única coisa errada em Tolip Holis.
Relógios marcavam horas que não haviam passado.
Espelhos devolviam aquilo que não estava diante deles.
Mortos antigos recusavam-se a permanecer enterrados nas memórias.
E certas pessoas pareciam conhecer rostos que juravam jamais ter visto.
Quanto mais Leowel buscava uma explicação racional para os acontecimentos que o cercavam, mais o próprio conceito de realidade começava a parecer desesperador.