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𝐊𝐢𝐦 𝐓𝐡𝐞𝐞𝐫𝐞𝐩𝐚𝐧𝐲𝐚𝐤𝐮𝐥 foi, e continua sendo, meu primeiro amor, mesmo que eu não ocupe o mesmo lugar em seu coração.
Ele não sente, nunca sentiu, nada por mim. Aos seus olhos, sou apenas o melhor amigo de Macau, seu primo mais novo. Mas isso não é um problema. Consigo conviver com essa posição. Contento-me em observá-lo à distância, espiar os ensaios da banda que ele fundou no início da faculdade de música na renomada Chulalongkorn. A discrição me convém, já que não almejo os holofotes. Ele, por outro lado, nasceu para brilhar sob eles.
Kim também inaugurou tantas coisas em minha vida... Ele foi meu primeiro beijo, ainda que não se lembre, ofuscado pelo álcool no estúpido jogo de verdade ou desafio na minha festa de quinze anos. Eu, contudo, jamais poderia esquecer.
Três anos se passaram. Amar sem ser amado de volta é um fardo. Kim se tornou, inevitavelmente, minha primeira desilusão amorosa.
Ele foi o primeiro, e único, garoto por quem derramei lágrimas. Quando começou a namorar Heather - o relacionamento terminou há cerca de um ano -, chorei compulsivamente por uma semana. E, claro, ele também foi o motivo do meu primeiro porre. Sei que soa patético, mas, para um adolescente de dezesseis anos com o coração em frangalhos, afogar as mágoas no pub com o melhor amigo parecia a solução ideal. Um engano. Não o superei e ainda ganhei uma semana de castigo.
A lista é considerável. Poderia detalhar minhas primeiras fantasias sexuais, invariavelmente estreladas por ele, ou confessar o motivo por trás da minha repentina obsessão por The Sims, mas seria constrangedor demais. Prefiro poupá-los - e a mim mesmo - de tais revelações. E há tantas outras coisas...
Mas nada disso importa agora. Nossa história, a verdadeira, começa aqui: com a primeira carta que lhe enviei. E com a primeira vez que assinei um pedaço de papel significativo com a promessa: "Para sempre, seu."