angeelfw
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Não era segredo para nenhum lorde, dama ou mesmo para o próprio príncipe Maekar que a princesa Saera nunca lhe faltaram pretendentes. Vulgar e irresistivelmente bela, ela mantinha homens a seu dispor sempre que lhe apetecia - e Saera não conhecia a arte de negar um desejo. Se queria, tomava. E o reino inteiro sussurrava sobre seus feitos, alguns com admiração, outros com escândalo, mas todos com a certeza de que a princesa prateada era indomável.
Numa de suas aventuras noturnas, porém, o destino quis que seu irmão mais velho, Daeron, a flagrasse num ato obsceno dentro de um bordel da capital. Ele a viu montada sobre um cavaleiro da Guarda Real, os corpos se movendo num ritmo que não deixava dúvidas sobre o que acontecia. Sem hesitar, Daeron levou a notícia ao pai, esperando ver Saera finalmente castigada como merecia.
Mas a fúria de Maekar não caiu somente sobre ela.
- Nenhum príncipe ou princesa deve frequentar bordéis - argumentou o príncipe, e seu castigo foi implacável: o cavaleiro foi executado, e ambos os filhos foram punidos. Saera pela desonra, Daeron por ter estado no mesmo recinto. E, como se a humilhação não bastasse, Maekar os uniu num noivado forçado - uma sentença disfarçada de bênção.
O problema era que Saera e Daeron se odiavam desde crianças. Ela o provocava com sua vulgaridade e sua liberdade; ele a desprezava com sua bebedeira e seu amargor. Cada palavra era uma faca, cada olhar uma guerra. E agora, forçados a conviverem como noivos, teriam que aprender a viver em harmonia - ou destruir um ao outro no processo.
A corte observava, os boatos corriam, e o casamento se aproximava como uma tempestade. Mas ninguém, nem mesmo eles, poderia prever que, no calor do ódio, algo mais perigoso começaria a nascer.