deboracardosodasilva
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Reza a lenda que a justiça é cega, mas ela cansou de não ver.
Por milênios, a deusa Astrea observou o mundo do alto do Olimpo, esperando que a humanidade aprendesse a governar a si mesma com integridade. Mas o que viu foi o oposto: um mundo engolido pela depravação, onde as leis se tornaram escudos para os cruéis e as balanças são inclinadas pelo peso do ouro, nunca pela verdade.
Consumida por um furor celestial, a deusa decide que o tempo da passividade acabou. Em um rastro de luz e fúria, ela rasga os céus e cai no coração de uma metrópole corrompida. Mas a Terra tem suas próprias regras. Para caminhar entre os mortais, Astrea abdica de sua forma etérea, materializando-se em um corpo de carne e osso, uma mulher de pele retinta e olhar de tempestade que carrega consigo uma espada que não corta apenas o aço, mas a própria alma.
Sob o nome de Astra, ela mergulha nas entranhas de um sistema jurídico apodrecido para fazer o que nenhum homem tem coragem: aplicar o veredito final. No entanto, nesta era de sombras e cinismo, ela descobrirá que a linha entre a justiça divina e a vingança mortal é mais tênue do que imaginava.
O julgamento começou. E ninguém, por mais poderoso que seja, está acima da sentença da deusa.