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O sol da Sicília costuma ser um convite ao prazer, mas para Penelope Featherington, ele parecia uma sentença de prisão perpétua sob luz forte.
Ela observou a silhueta de Colin Bridgerton recortada contra o azul excessivo do Mar Tirreno. Ele não era mais o jovem de sorrisos fáceis e coletes coloridos que ela conhecera em Londres. O Colin que a sequestrara no meio da noite, que a mantinha em uma villa cercada por homens armados, tinha um olhar frio, predatório e uma autoconfiança que beirava a crueldade.
- Você tem um ano, Penelope - ele disse, a voz como veludo sobre navalhas, sem se virar para encará-la. - Trezentos e sessenta e cinco dias para me amar. Se não acontecer, eu a deixo ir.
Penelope apertou o corrimão da varanda até os nós dos dedos ficarem brancos. A humilhação de estar ali, de ser um "troféu" para o ego ferido de um homem que ela odiava, queimava mais que o sol em sua pele clara.
- Você pode me trancar em um castelo, Colin. Pode me dar o planeta - ela cuspiu as palavras, a voz trêmula de fúria, não de medo. - Mas o amor não é algo que se cultiva sob sequestro. Cada segundo que passo aqui só me ensina uma coisa: como odiar você com cada fibra do meu ser.
Colin finalmente se virou. Ele caminhou até ela com uma lentidão deliberada, invadindo seu espaço pessoal até que Penelope pudesse sentir o calor emanando de seu corpo. Ele inclinou o rosto, os olhos fixos nos lábios dela, um sorriso sombrio brincando nos cantos da boca.
- O ódio é uma emoção muito próxima da paixão, querida Pen - ele sussurrou, a mão pairando a centímetros do rosto dela. - Vamos ver qual delas sobrevive ao verão.