PAULAOKAMURA
O amor entre duas jovens em 1926 já seria algo impensável... Abominável.
Mas, e se eu te disser que me apaixonei pela minha colega de quarto... Sim, divido o quarto de um convento com Adelaide. Ela me ilumina e me aquece com o mais poderoso sol. Sinto-me viva toda vez que ela me olha e sorri. Sinto meus pulmões trabalharem para processar o meu respirar rápido, afoito e descompassado se ela, por ventura, encosta suas mãos nas minhas.
Cecilia me protege, zela por mim. Sua fala tímida, seu andar lento. Seu silêncio faz barulho em meu coração. Ela faz todos os poemas de amor fazerem sentido E quando nos fechamos em nosso quarto? Somos uma.
Ninguém vê, ninguém sabe... Nós somos um segredo, não podemos ser expostas. É como isso é, é como isso será. Longe dos outros, perto uma da outra.