JoiceMartins762
Oxford, 1815.
Alguns lugares não preservam o tempo eles o acumulam.
Charles Alastair Cavendish pertence a uma linhagem que sempre confundiu permanência com virtude. Criado para sustentar um nome mais antigo que seus próprios desejos, ele aprendeu que o futuro pode ser imposto com a mesma naturalidade com que se herda um título. Em meio à rigidez da tradição e à contenção das emoções, os livros tornaram-se seu único espaço de escuta.
Até que um deles o escuta de volta.
O volume de capa encarnada surge como uma dissonância silenciosa, um objeto que recusa catalogação e cronologia. Ao abri-lo, Charles não atravessa séculos ele é arrancado da lógica que sustentava sua existência. O mundo em que desperta carrega o mesmo nome, mas não o mesmo tempo: uma Oxford fragmentada, veloz, indiferente às hierarquias que um dia pareceram eternas.
Ali, sua presença é um erro. Seu nome, uma coincidência inquietante. Seu corpo, uma pergunta sem resposta.
Entre perdas que não lhe pertencem e vínculos que se formam no espaço instável entre épocas, esta narrativa investiga o que permanece quando a identidade é deslocada de seu tempo. Mais do que uma história sobre viagem temporal, trata-se de um exame da memória, da herança e da fragilidade daquilo que chamamos de destino.
Uma obra onde o amor não promete redenção, apenas revelação.
E onde o tempo não conduz, observa.