LuaDeCloroformio
Grace acredita em método.
Em diagnóstico.
Em limites bem definidos.
Como psiquiatra, está habituada a conduzir mentes instáveis com precisão clínica. Seu novo paciente parece exigir exatamente isso: um homem de comportamento irregular, presença desconfortável e uma forma peculiar de se orientar no mundo. Sua história é confusa, seus silêncios longos, suas respostas sempre medidas demais.
Ainda assim, tudo está sob controle.
Ela observa. Ele reage.
Ela registra. Ele falha.
Ou ao menos é assim que deve ser.
Em Isótopo Transcendente, a instabilidade é sempre atribuída ao outro, a moral se sustenta em protocolos, e a verdade parece clara, até o momento em que a estrutura começa a ceder sem aviso.
Porque nem todo erro se apresenta como desvio.
E às vezes, a maior falha está em quem acredita jamais errar.
Onde a visão é um purgante.