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Lamine Yamal e Endrick Felipe se conhecem na concentração da seleção sub-20. Os dois são promessas do futebol mundial, mas de países e mundos diferentes. Lamine, espanhol, extroverso e sorridente. Vive de dribles e de piadas no vestiário. Endrick, brasileiro, mais fechado e intenso.
Joga com raiva e com coração. No primeiro treino juntos, Lamine passa a bola e grita: "Faz o gol, Brasil!" Endrick marca e olha pra ele. É só um gol. Mas o olhar fica.
Eles viram dupla de quarto por sorteio. E por sorte mesmo. Noite após noite, conversa vai, conversa vem. Futebol, família, medo de errar. Lamine ensina Endrick a jogar FIFA até 3 da manhã.
Endrick ensina Lamine a comer pão de queijo escondido da nutri. Entre risadas, começa a roçar o joelho no sofá. Começa a demorar pra dar boa noite. A música "Casual" toca na playlist do hotel. Lamine canta alto e errado.
"A gente tá ficando, né?", ele pergunta rindo. Endrick não responde. Só sorri. Porque é isso que eles são: ficantes. Nada sério. Só enquanto durar a competição.
Pelo menos é o que combinam quando ninguém está olhando.
Nos jogos, Lamine dá assistência. Endrick faz o gol e corre pra abraçar ele. A câmera pega. A torcida grita. Ninguém desconfia de nada. Fora de campo é diferente. São toques que duram 1 segundo a mais. São mensagens de "chegou bem?" às 2 da manhã. É Lamine dormindo no ombro de Endrick no voo. "Só cansaço", dizem um pro outro na manhã seguinte. A competição acaba. Lamine volta pra Barcelona.
Endrick vai pro Real Madrid. Continua casual. Mensagem aqui, ligação ali, encontro em data FIFA. Hotel em Paris. Hotel em Londres. Sempre rápido, sempre com medo de alguém ver. Lamine posta foto de treino. Endrick curte em 3 segundos. Endrick posta gol. Lamine comenta "monstro" com emoji de fogo. Nos bastidores, é "vem pro meu quarto depois do jogo?".
É casual. Só que não é.