MARCELOBRETTON
No sertão árido de tempos imemoriais, Alzira de Moura não curava doenças. Ela arrancava tumores vivos com as próprias unhas e os criava em potes de conserva, alimentando-os com leite e sangue. Aquelas massas de carne rebelde pulsavam, cresciam pelos e dentes, e sonhavam.
Décadas depois, uma poderosa empresa de biotecnologia descobre a coleção macabra. O que era aberração vira matéria-prima. Logo, fazendas verticais começam a usar corpos humanos como solo vivo. Maçãs quentes que sangram. Morangos que cantam canções de ninar com vozes infantis distorcidas. Melancias recheadas de dentes de leite. Tomates que revelam nervos ao serem cortados.
E o pior: o produto já está nas prateleiras. Nos supermercados. Nos pratos das famílias.
Você acha que está se alimentando.
Na verdade, a comida está se alimentando de você.
A Colheita Interior - um terror biológico viscoso, pulsante e sem limites, onde o câncer não mata... ele alimenta.