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Hermione Granger guardava um segredo que nem mesmo os seus melhores amigos seriam capazes de adivinhar. O mundo inteiro sabia do seu amor incondicional por enciclopédias, compêndios históricos e manuais complexos de feitiçaria, mas existia um nicho muito específico na literatura do qual ela nunca falaria em voz alta: Hermione era fascinada por romances. Quanto mais épicos, trágicos e cheios de reviravoltas, melhor. Ela preferiria enfrentar um batalhão inteiro de Comensais da Morte a admitir que, por baixo de toda a sua lógica implacável e rigidez acadêmica, batia o coração de uma romântica Incurável.
Foi justamente esse olhar treinado por anos de leitura devoradora que a fez perceber, muito antes de qualquer outra pessoa, que Harry Potter e Ginny Weasley carregavam o potencial exato para viver uma daquelas grandes histórias que só se encontram nas páginas dos livros.
Para a sua impaciência constante, no entanto, os dois pareciam teimar em andar a passos lentos, quase exasperantes. Mas, apesar do anseio ardente em ver logo o desenrolar definitivo dessa trama, acompanhar cada olhar disfarçado, cada tensão não dita e a aproximação inevitável de um ponto de vista tão privilegiado era um verdadeiro presente.
Investida emocionalmente como a leitora compulsiva que era, Hermione continuou esperando pacientemente. Mesmo com a sombra de uma guerra iminente pairando sobre suas cabeças e a ameaça constante da morte, ela sabia no fundo que aqueles dois haviam sido feitos um para o outro. E, no fim de tudo, depois de tanta dor, tragédia e sacrifício, tudo o que ela mais desejava era que seus amigos pudessem, finalmente, alcançar o seu merecido final feliz.