autoralisaazevedo
Meu pai é verbo
Pai.
Uma palavra pequena,
mas com significados gigantes.
Pra mim, significa homem forte, corajoso -
aquele que, toda vez que eu gritava, aparecia
e matava uma barata com uma chinelada.
Meu pai é recordação.
É memória afetiva.
É sorriso.
Desde a infância,
lembro quando ele chegava do serviço,
com a barba por fazer,
e vinha me dar um beijo -
do qual eu sempre reclamava,
porque sua barba arranhava o meu rosto.
Mas logo a reclamação virava riso.
Ele trazia um doce pra mim.
E um shampoo do Snoopy que era o meu favorito.
Não importa quantos anos passem,
nem o que ele faça -
ele sempre tenta me agradar de algum jeito.
Ele tem dificuldade em me dizer "não",
mesmo nas vezes em que eu precisava ouvir.
É apoio. É morada.
É aquele que os meus amigos tinham medo,
por ser forte,
mas que eu sempre olhei com admiração
por ser tão determinado, esforçado e presente.
Pai, pra mim,
é sinônimo de trabalho, esforço, carinho e força bruta.
É matar baratas.
É trocar a resistência do chuveiro.
É ganhar caneca no Dia dos Pais.
São cabelos brancos.
É preocupação.
Mas, acima de tudo,
é amor.
Quando lembro da minha infância,
vejo ele em todas as apresentações da escola.
Ele era sempre o primeiro -
a chegar,
a sorrir,
a me aplaudir,
a me apoiar.
Não importava quantas profissões eu dizia que ia ter.
Num dia, advogada.
No outro, lutadora.
Depois, atriz.
Não importava quantas ideias mirabolantes eu inventasse,
ele nunca me disse que eu não conseguiria.
Sempre me apoiou.
E não importa quantas vezes eu mude de ideia,
sei que ele vai continuar sendo o primeiro a bater palmas por mim.
Mesmo quando eu erro,
o orgulho dele é maior do que qualquer decepção.
E por isso, por tudo isso,
por ele,
eu só tenho gratidão.