alexdepaula
Há dois anos, aquela vila ribeirinha no coração do Amapá o recebeu de portas abertas. Cafés, risadas, promessas de voltar.
Desta vez, as portas se fecham na sua cara.
O barqueiro avisou antes mesmo de chegarem: quem vai nessa época do ano não volta mais. Ele riu. Achou graça na superstição.
Agora ninguém olha nos seus olhos. As crianças choram quando o veem passar. Um amigo que fez na primeira viagem simplesmente... não existe mais para eles. E uma palavra circula pela vila inteira, sussurrada e cortada antes que ele possa entender:
Procissão.
Faltam poucas horas para a lua de junho virar. E na noite em que os sinos tocarem, ele vai descobrir que existe algo pior do que não ser bem-vindo - existe ser escolhido.