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Marília nunca teve uma casa que realmente fosse sua.
Entre discussões constantes e a sensação de nunca ser suficiente para a própria família, ela começou a passar mais tempo na casa da melhor amiga, Alicia, do que na própria. Cresceram praticamente juntas - duas meninas aprendendo a lidar com ausências diferentes. Alicia cresceu sem a mãe, que perdida cedo demais para uma doença.
Naquela casa, existia apenas um adulto.
Rafael.
Viúvo há anos, advogado respeitado. Gentil, educado, dedicado à filha. Um homem que parecia ter feito as pazes com a solidão.
Agora, aos 48 anos, Rafael acredita que sua vida está parada demais para aparecer surpresas.
Mas o tempo passou.
Marília já não é a adolescente ingênua que vivia jogada no sofá da sala. Aos 19, ela é ousada, inquieta. provoca sem perceber os limites. Começa a perceber que o pai de sua amiga é um possível criador de abelhas (referência de ricky and morty 😉)
Suas interações começam a se destacar cada vez mais um para o outro. O modo como Rafael a escuta com atenção prolongada, os olhares desviados tarde demais.
Mas a provocação deixa de ser piada quando a tensão se torna real.
Porque há algo perigoso em perceber que você não é mais vista como menina. E sim como uma mulher
E há algo ainda mais perigoso quando o homem que você começa a desejar é o pai da sua melhor amiga.
Entre jantares aparentemente comuns, conversas na varanda, Marília começa a entender que crescer também significa encarar desejos que não cabem em explicações simples.
E Rafael precisa decidir se é possível continuar sendo o homem correto... quando tudo dentro dele já não é tão silencioso quanto aparenta.
Algumas casas guardam memórias.
Outras guardam segredos.
E naquela, o primeiro a atravessar a linha talvez não seja quem todos esperam