RayssaValeriano
O som do motor engasgado do antigo guincho "Nazaré" era, ironicamente, a melodia mais doce que Gerluce e Paulinho poderiam ouvir. Deixando os degraus da Igreja de Santa Rita de Cássia para trás, eles carregavam no corpo a exaustão de quem sobreviveu ao inferno, mas na alma, a leveza de quem finalmente venceu.
Ferette e Samira não eram mais uma ameaça. A família estava a salvo. O vestido de noiva, manchado e remendado às pressas, era um troféu de sobrevivência. Tudo o que o investigador e a presidente da Fundação queriam era uma folha em branco; dias de sol e anonimato em um destino guardado a sete chaves, onde pudessem, enfim, ser apenas um casal apaixonado curando suas velhas feridas.
Mas a paz, para quem passou a vida tropeçando no caos, é um artigo de luxo. Eles estavam prestes a descobrir que, entre o altar e o merecido descanso, existe um trajeto imprevisível. Uma corrida alucinante contra o relógio, um esbarrão no saguão do aeroporto e um erro aparentemente inofensivo seriam o suficiente para colocar a lua de mel à prova.
Afinal, o que poderia dar errado quando se está a caminho do paraíso? A resposta estava bloqueada por senha, na tela de um celular trocado.
Esta é uma história sobre cura, mas com boas doses de confusão e humor.