Neslen_Duarte
Estas poesias nasceram muito antes da publicação. Foram escritas em grafite, nas páginas de diários, cadernos escolares, folhas soltas e madrugadas insones de uma adolescente dos anos 90.
Algumas surgiram de paixões intensas, ausências dolorosas, sonhos, dúvidas e sentimentos contraditórios. Outras nasceram de experiências que jamais aconteceram na realidade, mas que viveram profundamente na imaginação, nos pensamentos e na sensibilidade de quem sentia o mundo antes mesmo de compreendê-lo.
Entre pobreza, abandono, silêncios, fé, amor, perdas e esperança, a escrita tornou-se abrigo. Muitas vezes eu acordava no meio da noite como quem entra em trabalho de parto, não para dar à luz filhos, mas versos que insistiam em nascer.
Poucas pessoas compreenderam aquela menina que escrevia. Seus poemas pareciam intensos demais, profundos demais, sombrios demais. Ainda assim, ela continuou rabiscando sentimentos, tentando transformar perguntas em palavras e emoções em mapas.
Esta obra é o registro dessa travessia.
Uma cartografia feita de grafite, papel e tempestades.
De sentimentos que talvez ainda não tenham sido completamente desvendados.