Beer_Cat
Aruan Raposo aprendeu cedo que uma estrela pode ser apagada.
Então deixou de querer ser uma.
Aos dezenove anos, ele é o número 17 do Paris X Gen - e o último nome que aparece quando a câmera procura o arquiteto da jogada. Não por falta de talento. Por escolha. Filho do interior, da terra vermelha e do urucum, ele carrega a origem no rosto e a história em silêncio. Sabe ler qualquer defesa, antecipar qualquer movimento, controlar qualquer partida sem que ninguém perceba que foi ele. Seu ego cabe numa frase:
Eu decido quem vai brilhar.
O problema começa quando aparece alguém que ele não consegue ler.
Um atacante de cabelo lavanda e sorriso fácil demais. Dois traços no rosto que não pedem desculpa por existir. E um sorriso que, quando Aruan olha de perto, não fecha com o resto do rosto.
É o tipo de detalhe que a raposa não consegue ignorar.
Onde Ninguém Olha é uma história sobre o que acontece quando o invisível encontra o inexplicável. Sobre futebol, sobre saudade de casa, sobre a diferença entre esconder e desaparecer. E sobre o único que aprendeu a procurar exatamente onde você não estava