Leona6538
Eu costumava achar que dor era coisa de adulto.
Que só quando o amor acabava ou alguém morria é que a gente aprendia a sentir.
Mas eu tinha oito anos quando descobri que a dor também mora em silêncios.
Ela entra devagar, pelos corredores da casa.
Senta na ponta da cama, observa a gente dormir.
Depois cresce com a gente, aprende a falar pelas nossas ausências.
Esse livro é sobre tudo o que não disseram.
Sobre o que eu nunca soube chamar de amor, mas tentei amar mesmo assim.
É sobre os nomes que eu nunca recebi - nem de pai, nem de homem nenhum.
Mas também é sobre aquela vez que eu me apaixonei por um cara que usava moletom cinza e lia Bukowski.
Sobre a minha amiga que jurava que sabia viver, até quebrar o dente fugindo de um gato.
Sobre noites em que a gente jura que vai morrer, mas acorda mesmo assim e tem que lidar com o café frio.
É uma história gostosinha de ler, eu prometo.
Mas se você prestar atenção nas entrelinhas... talvez chore também.