Desde que comecei a trabalhar mais perto de casa que comecei a apanhar um autocarro que dá a volta aqui às terrinhas todas da zona. Sempre tive a ideia que os transportes públicos são isso mesmo transportes públicos, mas este é mais um transporte familiar que outra coisa. Todos os dias somos sempre os mesmos, as mesmas caras. Já toda a gente se conhece e ninguém conhece ninguém.
Eu entro logo no início da carreira, já damos os bons dias uns aos outros, somos uma "família" do autocarro. Prai na 9° paragem é onde entra mais gente, tirando os velhinhos, grávidas, coxos ou mães com os filhos ao colo toda a gente fica de pé.
Nessa paragem entra sempre um rapaz, aparenta ter uns 24/25 anos, barba à lenhador, com umas vestimentas um pouco fora do normal, tipo uns casacos de cabedal(Napa), com pioneses e folhos ou casacos com manchas um pouco fora do normal. Vem sempre com fones nos ouvidos e fica sempre no meu ponto de visão. Eu bem tento não olhar mas é inevitável. O moço faz a viagem praticamente toda a curtir o som que vem a ouvir. Ele abana a cabeça, ele bate o pé, ele mexe a perna e juro já dei com ele a jingar a cintura. Ou seja um frenesim matinal literalmente. Um espectáculo logo pela manhã dentro de um autocarro familiar.
Agora das duas uma, ou o rapaz não consegue conter o que a música lhe transmite e saricoteia-se em qualquer lugar e com qualquer tipo de plateia ou o lavrador modernista é dançarino! De mal o menos, pois já somos todos "parentes" do autocarro das 8:00 da manhã! Depois lá sai ele na paragem da estação e acabasse o espectáculo até ao outro dia de manhã à mesma hora.
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