O Caipira
Cerro Azul sempre foi uma cidade de pouca conversa e muita poeira. A vida por lá seguia o compasso do sol e o movimento das carroças que subiam e desciam a serra. Na pensão, o entra e sai de gente era o que movia as fofocas. Já no sítio, a lida era bruta, de sol a sol, onde o suor e o trabalho ditavam as regras de sobrevivência.
Rosa, filha do Seu Antenor, era o assunto preferido de quem não tinha o que fazer. Com o gênio forte e uma vaidade que não combinava com a simplicidade daquela gente, ela vivia de cabeça erguida, desafiando as convenções e deixando o pai, que trabalhava duro no armazém da cidade e morava na pensão, com os nervos à flor da pele. Do outro lado dessa história, Juvenal era um homem da roça, desses que não gastam palavras à toa e vivem pelo que o campo oferece.
O encontro entre a moça que não queria se submeter e o caipira que não aceitava desaforo era apenas uma questão de tempo. E quando os dois caminhos se cruzaram, a paz de Cerro Azul ficou para trás. O que começou com atrito e desavença logo se tornou algo que ninguém esperava. Esta é a história de como eles se acertaram, de como as vidas se misturaram e de como a teimosia de dois mundos diferentes acabou dando num só.