Eu me chamo Antônio e sou o personagem de um romance que está sendo escrito, vivido. A mão esquerda se levanta como se quisesse alcançar a altura inalcançável do pé-direito para pedir ao garçom mais próximo:
-Um chope, por amor!
É um botequim,sim. Tradicional. Com direito a balcão confuso, contas e mais contas penduradas, balas com validade quase vencida, charutos importados, promoções-relâmpago: pague um, leve dois, lave três, pegue dois, o fiel café de todo santo dia, a demoníaca chopeira a todo vapor, a chapa quente, a bandeja de frios, o cardápio de couro na mesa, o canário em couro na gaiola e centenas de palitos aflitos que esperam seu último destino.
É assim, nesse botequim,
Sem pretensão alguma de ser poesia
Que nasceu a minha poesia.
- Saideira!
Tim-tim!