Amor E Silêncio

Amor E Silêncio

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WpMetadataNoticeLast published Mon, Jun 8, 2020
Eu estive pensando em como a vida me machucou, no quanto ela pode ser cruel, talvez estivesse se vingando por eu ter tudo, sem restrições, talvez quisesse que eu sofresse um pouco, como todo mundo, claro que quando tudo aconteceu, eu era pequeno e frágil o suficiente pra não me importar, ou ser alheio a situação, mas agora percebo minhas limitações. Todo dia agradeço a Deus, por poupar meus olhos, a surdez é algo ruim, mas se eu não pudesse enxergar, se eu só presenciasse escuridão, do mesmo modo que não sou capaz de ouvir um ruído, talvez desmoronasse. Eu estava no carro aos oito anos de idade, um fim de semana em que o filho deles, conseguira, tira-los do universo administrativo em que são emergidos, claro que eles ainda boiavam nele, mas pra mim era o suficiente, simplesmente faze - los sair comigo, eles estavam tentando, eu sei. Eu estava com meus fones ouvindo algo, eu não lembro oque era, estava chovendo muito, então queria faze - los ir casa da vovó, brincariamos, e seríamos uma família unida por um tempo, pra mim estava bom, logo estaria com eles e minha avó num ambiente quente, e longe da imensidão da nossa mansão, afinal, minha avó gostava de casas pequenas e eu particularmente me achava seguro em um lugar como sua casa. ouvia a chuva bater forte contra o carro, elas conseguiam ultrapassar o som dos meus fones, então resolvi tira - los. - estou feliz que arranjaram um tempo pra ficar comigo - digo já ansioso, minha mãe sorria, enquanto meu pai atendia uma ligação com seu foco na estrada. naqueles segundos, entre o sorriso da minha mãe, e a concentração do meu pai, eu ouvi o barulho das rodas tentarem freiar de algo, ou talvez a pista estivesse muito molhada. nunca pude imaginar que sentiria tanta falta, de ouvir o barulho da chuva de novo.
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Ellora

Porque eu não dei por encerrado nossa curta relação naquele momento dentro do cubículo? Porque eu não deixei Verônica em paz, já que meu templo sagrado, (talvez não tão sagrado hoje em dia) não a interessava mais? Porque eu insisti em libertar uma pessoa que não queria ser liberta? Esse é o preço que eu pago por ter amado demais, a culpa, o remorso tomam conta de mim nesse momento, e serão as únicas coisas que irão me acompanhar dentro da cela escura e fria. Hoje eu posso ver a família Zumach chorando pela perca, implorando por justiça, hoje eu posso ver os poucos amigos no fundo desse tribunal com olhares de piedade ao ver essa cena lamentável, hoje eu posso ver que minha família não se importa se vou ficar 1 ou 10 anos aqui, hoje eu posso ver que joguei o pouco que restava da minha vida fora. Eu não sei se arrependimento é a palavra certa para usar, foi bom enquanto durou, eu me senti viva, mas, e agora? Caros membros do Júri, eu, Ellora, não tenho palavras para expressar o que sinto nesse instante. A dor da perca e a dor da culpa me corroem nesse momento. Dor pela pessoa que eu amei durante esse curto tempo, ter partido sem ao menos me dizer adeus. Sua alma fora sugada pelo anjo da morte, que saiu das profundezas do meu inconsciente para tira-la de mim. Culpa por um dia ter feito, essa mesma mulher, sentar nessa cadeira como uma criminosa qualquer sob o olhar impiedoso dos homens que a cercaram. Excelentíssimo, entendo que pela lei deveríamos ser punidas, mas não há mais sentido punir quem já não está mais entre nós. Verônica... [Seus olhos azuis jamais sairão de minha mente, seus longos cabelos dourados deslizando sob meu corpo nu, e seu sorriso largo que enaltecia minh'alma] Caros membros do júri, e os demais aqui nesse tribunal presentes, permita-me contar como e porque, nossas almas se cruzaram nesse destino cruel. Acredito que a partir daqui, eu deva assumir o lugar do réu.

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