Eu nunca quis me apaixonar.
Em todos meus 17 anos, em toda essa correria do dia-a-dia, o que estava fora dos meus planos, era sentir algo por alguém. Depois que fugi de casa, eu fugi dos meus sentimentos, fugi de todas as coisas que me partiram o coração, tudo fora deixado lá. Morar sozinha, é ter minha liberdade, tudo que eu sempre quis. Eu queria não me importar, como eu me importo, queria toda essa frieza que dizem que eu tenho, queria poder segurar as lágrimas e nao deixarem elas se perderem sempre que desabo no colchão, queria me ver com outros olhos, queria me conformar com tudo e estar feliz, queria ser abrigo e nao ser prisão. Eu tenho medo de quem não comete erros, tenho medo de quem quer meu bem, tenho medo de mim. Eu nao sei mais quem eu sou. Não sei se a maconha me traz meu eu, ou se me leva. Eu nao tenho paranoias, eu sou uma delas. Eu nao entendo o que me dói, mas essa dor me faz chorar. Entre todas minhas incertezas, a única certeza que eu tenho, é que quero ele.
Mas se até eu me odeio, porque logo ele me amaria?
Capa feita pela xuxu: @umafalcao
#830 em romance: 20.08.17
#362 em tristeza: 08.12.18
~ Prólogo 1
Dois anos atrás...
Dizem que a partir dos 15 anos, o tempo voa. Que você pisca os olhos e já está com os seus 18 anos. Quando eu fiz 15, eu decidi que ia aproveitar o máximo. Eu sabia que quando chegasse aos meus 18 anos não ia ser como qualquer um adolescente imagina. Eu não ia ser independente, não ia morar sozinha logo de cara, não ia sair todo final de semana, enfim... A questão é que minha mãe sempre foi super protetora e as coisas que eu queria fazer ela não deixava. A única solução era fazer escondido.
Eu só fazia coisa errada. Coisa que se minha mãe descobrisse ela ia me enfiar em um internato. Vou para as festas escondida, junto com minha melhor amiga Alexis, bebo, fumo, bom, eu não sou um exemplo de boa filha. Minha mãe acha que eu sou, mas ela não sabe muito bem o que acontece na minha vida. Se ela fosse menos protetora, até poderia saber.
Maya: Vira logo isso Alexis! - falei enquanto ela tomava coragem de virar um meio copo de tequila
Alexis: Vai se foder! - nós rimos
Saímos da festa devia ser umas três da manhã. Eu não estava bêbada, só estava um pouquinho alegre. Eu sabia meu limite.
Maya: Vou pegar as tintas lá em casa, to afim de fazer uma arte.
Alexis assentiu. Ela não iria, tinha medo de ficar de madrugada sóbria na rua. Eu fui pra casa e entrei lá na ponta dos pés. Se minha mãe me visse no estado que eu estou, nossa, nem quero imaginar... Entrei no meu quarto e peguei minha bolsa que já tinha tudo que eu iria usar.
Eu estava terminando quando vi luzes de policia vindo de uma rua. Era só o que me faltava, parar na prisão. Deixei minhas coisas ali mesmo e corri pra algum lugar onde eu poderia me esconder. Entrei em um beco escuro e ali fiquei até as luzes se afastarem. Estremeci quando senti uma mão tapando minha boca.
Xxx: Se você gritar, juro que te mato aqui mesmo.
Meu coração acelerou quando senti suas mãos passando por de baixo da minha blusa. Isso não está acontecendo!
[...]