Estrela do Cerrado Nicole era o reflexo das luzes de Paris. Criada entre a sofisticação da Europa e o luxo de Cuiabá, sua vida era feita de seda, perfumes caros e o conforto gelado do ar-condicionado. Para ela, o mundo era um lugar impecável e sem manchas, visto sempre através das vitrines de grife e das taças de cristal. Damião era o reflexo da terra goiana. Criado no cabo da enxada e no lombo do cavalo, sua vida era medida pelo ciclo sagrado das chuvas e pela lida bruta do gado. Suas mãos eram o mapa de sua história, calejadas e firmes; sua pele era marcada pelo sol implacável e sua única riqueza era o suor vertido no chão da Fazenda Estrela do Cerrado. Dois mundos que, pelas leis da lógica, nunca deveriam se cruzar: de um lado, o brilho delicado da cidade; do outro, a resistência rústica do sertão. O que Nicole não sabia é que o cristal, quando toca a terra bruta, ou se quebra para sempre... ou se transforma em algo muito mais valioso.
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