Uma Garota...
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WpMetadataNoticeLast published Mon, Jan 15, 2018
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Fiction
Romance
29/02/2017 Olá... Você não deve nem se lembrar de mim, mas eu me lembro muito bem de todas as nossas conversas, risadas e até choros, sei que não nos falamos a um tempo... você disse que não desistiria de mim, que não me deixaria cair nesse poço, eu me lembro de suas palavras, de sua voz, seu rosto, enfim, tudo. Mas vc não voltou, não me ajudou, e sabe aquele poço? Bom eu já passei dele a muito tempo, hoje​ eu lembro daquele poço como uma lembrança boa, eu já desisti de tudo, hoje em dia eu já não sinto nada...nem dor...nem tristeza, nada! Você era minha pilastra de sustentação, era meu motivo para lutar e tentar viver mais um dia, eu já parei com os remédios e as consultas...a última vez que fui a uma a doutora me disse que eu já não poderia mais ficar sem os remédios, e isso me deixou feliz, porque eu não tenho medo de morrer assim... você sabe o por que eu não me matei antes? Assim que você sumiu? Porque eu não tinha coragem, tinha medo...agora eu não tenho mais... Espero que vc receba essa carta e possa vir me ver, sei que não tenho o direito de te colocar esse fardo nas costas, sei também que você deve ter sua família e nem deve mais se lembrar da problemática que um dia você jurou ajudar...eu nunca esqueci o que você fez por mim... só gostaria de te ver antes de...espero que leia antes que a falta dos remédios me mate...eu ainda tenho 3 dias... Ass:uma garota...
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Higanbana

Ele me olhava como se tivesse acabado de me caçar - os olhos escuros cravados em mim, sedentos, enquanto o uísque girava lento no copo, como o sangue ainda fresco no chão entre nós. Sua respiração era densa, febril, quase tão quente quanto a vida que acabáramos de arrancar. O cheiro metálico da morte se misturava ao perfume da sua pele, e eu... eu não conseguia respirar sem ele. Ele era meu medo e minha redenção. Minha sentença e minha salvação. Estar ao seu lado era como cair num abismo e desejar que ele nunca tivesse fim. Eu me agarrava a ele como quem se afoga na própria insanidade - e ainda assim implora por mais. Ele me matou antes de qualquer outro. Quando me olhou daquele jeito. Quando sussurrou meu nome com aquela voz rouca, carregada de vício e poder. Eu não tinha mais corpo, nem alma. Só vontade. Vontade de tê-lo. De me perder inteiro nele. O mundo morreu no instante em que o sangue respingou nas nossas mãos. E ali, entre a morte e o desejo, eu soube: eu precisava dele mais do que da droga, mais do que do ar. Se ele me deixasse, eu não sobreviveria nem à próxima batida do meu coração. E ele sabia. E sorria. Porque ele também precisava de mim. Doentio. Louco. Viciado. Meu.

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