As Quatro Estações

As Quatro Estações

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WpMetadataReadComplete Fri, Dec 8, 2017
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Fiction
Romance
"Jamais vi algo que possuísse beleza semelhante à das flores, e acredito realmente que não haja. Algo que exale perfume tão encantador, que possua cores tão intensas, realmente só cabe a elas ter." "No exato momento em que se voltou para mim uma bisa passou por ela, esvoaçando os longos cabelos - cabelos estes que eram tão loiros e brilhantes que pareciam um raio de sol - isso permitiu eu visse sua face. Seus olhos azuis transpareciam uma imensidão tão serena quanto o céu e tão profundos quanto o mar. Seus lábios eram vermelhos como uma rosa e seus traços tão delicados quanto uma flor de cerejeira." "Um pequeno riso escapou de meus lábios. Não serei passado para trás. Nunca mais deixarei que levem nada do que é meu novamente. Haja o que houver, custe o que custar, protegerei a qualquer custo minha querida flor." "Ouve-se então apenas o vazio som do vento. Olho para minha flor e ela olha para mim. É então que de seus olhos azuis uma lágrima vaza, escorrendo por seu rosto." Foram assim As Quatro Estações de minha vida. - Jardineiro -
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Eu tinha tudo. Ou, pelo menos, era o que todos acreditavam. Uma empresa de moda consolidada, influência nos círculos mais seletos, uma conta bancária que sustentaria gerações. Mas o vazio sob o peso dessas conquistas era impossível de ignorar. Eu me casei por amor. Ou, pelo menos, foi o que pensei. Sara tinha esse efeito sobre as pessoas - um magnetismo sutil, uma capacidade de fazer você acreditar que o mundo poderia ser um lugar menos insuportável ao lado dela. Eu amava Sara. Mas, com o tempo, o amor começou a se dissolver sob o peso das dúvidas. Pequenos detalhes - olhares que pareciam medir mais do que apreciar, respostas que soavam... vazias. Será que o amor de Sara era só uma fachada para o verdadeiro objeto de desejo - meu dinheiro? Foi nesse contexto que encontrei o bar. Um lugar discreto, imerso em luz baixa e música abafada, onde os drinks eram precisos e o anonimato oferecia alívio. Eu ia para lá sempre que o silêncio em casa se tornava insuportável, sentava no mesmo banco, acendia um cigarro e deixava o gosto amargo do uísque deslizar pela garganta. E foi lá que comecei a conversar com a barista. Eu não sabia o nome dela - e nunca perguntei. Ela tinha um sorriso fácil, mas um olhar agudo demais para ser ingênuo. O tipo de pessoa que te enxerga antes mesmo de você abrir a boca. Ela ouvia sem julgamentos. Às vezes, dava conselhos diretos, com uma clareza quase cruel. O mais estranho é que ela parecia me entender - não como Faye Peraya, a empresária bem-sucedida, mas como alguém que carregava o peso de um amor que começava a desmoronar. Eu não sabia por que confiava nela. Talvez fosse a maneira como ela me olhava, sem expectativa, sem exigência. Talvez fosse o fato de que, diante dela, eu não precisava ser nada além de... eu.

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