Não foi porque aconteceu algo, não foi porque alguém me magoou, era só porque eu me sentia melhor.
As pessoas passavam ali me olhando com reprovação, algumas com curiosidade, pude até jurar que vi um garoto sorrindo para mim quando passou aqui, provavelmente indo fazer o mesmo que eu.
Não que eu ache isso certo, mas quem dita o certo e o errado? Não estou orgulhosa de mim, aliás, não faço isso tem muito tempo, por que eu teria orgulho de mim mesma na minha situação atual?
O cheiro de nicotina e o aroma doce do cigarro de cereja pairavam no ar de forma calma,meus cabelos recém cortados e desbotados em tons pastel ameaçavam fugir do gorro preto surrado que eu usava para acompanhar o vento frio e solitário daquela manhã de terça, o clima naquela parte da faculdade era dito sombrio por muitos, mas pra mim, era apenas calmo, quase ninguém ia ali, além de mim e o garoto que supostamente tenha sorrido eu minha direção há alguns momentos monótonos atrás, não era novidade, sempre nos ebarravámos por ali, cada um com o mesmo objetivo de apenas acabar com alguns cigarros, não éramos amigos, muito menos próximos, ele me cumprimentava e eu fazia o mesmo, apenas pelo costume de sempre nos vermos. Chegamos a até fazer algumas aulas extras sem motivo e sem interesse algum, mas ele não me interessava, já peguei aqueles olhos negros me encarando algumas vezes, pude ver seu sorriso perfeitamente alinhado apenas uma vez, quando ele discutiu em toda a calma possível com um professor, ele era tão desinteressado em tudo, no mínimo irritante, ao meu ver. Porém, irrelevante.
Vocalista e baixista da Frost Storm, Dominic Harrison está habituado com a idolatria. Os olhares curiosos por onde passa, a plateia eufórica e ávida em seus shows, a atenção feminina centrada em si a todo momento... De fato, a veneração se tornara algo cotidiano em sua vida desde a formação de sua banda.
Bem, acontece que, para toda regra, há uma exceção, e no momento em que o garoto fixou o olhar em uma estudante de música peculiar, entendeu que ela fugia de seu habitual.
Grace DiLaurentis lhe pareceu como um mistério. Ambição resplandecia por seus orbes ao mesmo tempo que um genuíno desinteresse, o sarcasmo e inteligência se entrelaçavam acidamente em sua personalidade, e, sobretudo, sua beleza era definitivamente um convite ao perigo.
Dominic não teve ideia de com o que estava lidando, e isso foi suficiente para lhe despertar a curiosidade e incentivar seu apetite insaciável pelo controle. Ele só não sabia, contudo, que a pianista já estava acostumada a manter a ordem de sua própria maneira.
Impulsiva e inevitavelmente, ambos começam a brincar com os sentimentos um do outro, ora enganando seus próprios anseios, ora nutrindo-os, sem ao menos cogitar as consequências danosas que seus ímpetos trariam não somente para si mesmos, mas para todos à sua volta.