Carta para o que não voltou
A voz que guia esta história é como um sussurro antigo, vindo de algum canto esquecido do tempo. Ele não está ali para consolar, muito menos para julgar. Ele apenas observa. Silencioso, paciente, como quem já viu esse ciclo de dor e reencontros muitas vezes antes.
Esse narrador não é onisciente no sentido clássico - ele sente, mas nem sempre entende. Ele se aproxima dos personagens como quem caminha por um corredor escuro, tateando memórias, verdades escondidas e medos não ditos. Ele conhece o passado, percebe o presente, mas encara o futuro com a mesma incerteza que os próprios personagens.
Ele respeita os silêncios.
Ele observa o que não foi dito.
Ele carrega nas palavras um peso emocional - como se narrar esta história fosse também uma forma de se curar de algo antigo.
Às vezes ele se confunde com os próprios personagens.
Às vezes, parece ser uma versão futura de alguém que viveu tudo aquilo.
E há momentos... em que você vai sentir que ele está falando direto com você.