Uma Cadeira e Dois Chocolates Quentes

Uma Cadeira e Dois Chocolates Quentes

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WpMetadataNoticeLast published Tue, Aug 14, 2018
Frederico e Beatriz encontram-se casualmente numa tarde fria de Inverno num bairro lisboeta escondido da maior parte da população. O que acontece a Frederico naquela tarde, fez Beatriz ir ao seu encontro e convidá-lo para um simples chocolate quente. Entre canecas e conversas, os dois vão se conhecendo e percebendo que têm mais em comum do que estavam à espera. Os dois vão aquecer o inverno até, eventualmente, o inverno acabar. "Aproximei-me do rapaz que me olhou diretamente nos olhos assim que se apercebeu da minha presença. Tal como eu, parecia revestido com umas quatro camisolas e uns três casacos. Frio, frio! Odeio frio! Nem sei o que estou a fazer de fora de casa, podendo observar esta vista melancolia a partir da janela da sala de estar. Para piorar ainda, os seus olhos castanhos faziam-me desejar um belo chocolate quente que substituiría muito bem as luvas que ainda à pouco trazia nas mãos para as aquecer. - O que foi? Também estás aqui para gozar?- a raiva e arrogância presente na sua voz fez-me hesitar e querer voltar para a música e desenhos profundos em que pensava antes destes minutos de pura maldade de adolescentes que certamente não tiveram educação. Mesmo assim, permaneci firme na minha posição enquanto colocava as mãos nos bolsos do casaco comprido de inverno que envergava hoje. O frio estava a aumentar cada vez mais, incentivado-me a um dia perto da lareira a preparar um natal que certamente iria ser ainda mais gelado. Nem era, de todo, mau pensando... Mais uma vez, os seus olhos castanhos me encaravam com um tênue olhar de julgamento. Já devia estar habituado a que situações como a de há minutos ocorressem, mais frequentemente do que ele queria, imagino eu. - Não- pausei, mostrando posteriormente um sorriso- Estou aqui para te comprar um chocolate quente!"
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lisboa
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Era um dia frio; o vento parecia querer machucar. Cheguei em casa logo após o sepultamento de minha avó Maria e me senti uma estranha em meu próprio lar. O ambiente ecoava uma paz intrusa e um silêncio constrangedor. ​Eu não conseguia sentir nada. ​Acontece que aquela insensibilidade me assustou imensamente, pois eu era uma das netas mais apegadas a ela. Com isso em mente, caminhei por aquela casa enorme e sombria, sentindo-me perdida, sem saber em qual cômodo me esconder. Escolhi a sala; o sofá nunca me pareceu tão convidativo. Minha mente precisava desesperadamente de barulho, fosse qual fosse, então liguei a televisão. Passava "A Lista de Schindler", entretanto, minha alma gélida não se comoveu com a história triste do filme. Foi quando adormeci. ​Enquanto sonhava, me vi em casa, mas ela estava acolhedora e iluminada pelo sol. A mesa da sala de jantar exalava a fragrância de lavanda do lustra-móveis, que se misturava ao cheiro de bolo de fubá recém-tirado do forno. ​Na sala de estar, sentada, quieta e concentrada na notícia que passava na TV, lá estava ela: a vó Maria. Com seu rosto idoso e suave, usando o lenço branco de sempre sobre os cabelos finos e grisalhos, ela bordava um pano de prato enquanto acompanhava o jornal da tarde. Passado algum tempo, ela se levantou, colocou a caixinha de costura e o trabalho inacabado sobre o sofá, olhou para mamãe e disse: ​- Tenho que ir! ​Acredite ou não, daquela sala de jantar, o sonho nos transportou para o cemitério. Entramos e, pelas vielas estreitas, seguimos em paz e lentamente, até chegarmos ao túmulo que tinha a foto da vovó. Eu, abruptamente e sem pensar, disse: ​- Vou com a senhora! ​Ela respondeu com amor, mas decidida: ​- Agora não. Volte e viva. ​Acordei com ânsia de vômito. Eu sabia que, agora, era minha vez de escrever nossa história. Estando pronta ou não. DA 2021-006074

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