UM BRINDE A VOCE

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WpMetadataNoticeLast published Mon, Feb 7, 2022
Sentar na cadeira de um bar vazio e desabafar para a garota bonita que me servia uma grande dose de tequila havia se tornado meu mais novo e preferido hobby. Eu sempre estava lá até as luzes se apagarem, as garrafas secarem e o mesmo assunto ser mastigado vezes sem conta. Nunca me encheria da presença de Romana Ramirez. Esse era um fato indubitável. Eu nunca me preocuparia com a ausência dos sons quando havia sua gargalhada para preencher o vazio; jamais me importaria com as luzes apagadas ou tampouco com o álcool ficando quente. Nada poderia destruir a conexão de nossas mentes. Nada seria capaz de me fazer recuar. Nada me faria desistir. Só você. Apenas, unicamente e exclusivamente você poderia quebrar tudo. E, Romana, você se certificou de efetuar cada uma dessas ações: De nos destruir. De me fazer dar um passo para trás. De me obrigar a desistir. De me quebrar. E, apesar disso, não consigo te odiar por mais que tente com todas as minhas forças. Eu me tornei a porra de um lunático apaixonado com o caralho de um coração despedaçado. Todavia, mesmo sofrendo cada mísero dia ao lembrar do seu cheiro, eu continuo mantendo viva sua lembrança em minha mente. Tudo isso porque, Romana, minha sede por você é completamente insaciável.
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Um silêncio ensurdecedor habitava a sala de jantar da casa de meus pais. O barulho proveniente dos ponteiros do relógio mais me parecia à contagem regressiva de uma bomba prestes a explodir. Havia dez pessoas sentadas à mesa, uma ceia belíssima de ano novo aguardava pelo momento em que seria devorada, ou não. Ninguém aparentava ter coragem suficiente para iniciar uma conversa, talvez porque abrir a boca significasse correr o risco de perder a vida. Estávamos todos brincando inconscientemente de Roleta Russa. Cada um de nós tinha uma arma apontada para a cabeça de alguém, e consequentemente tínhamos uma arma apontando para a nossa. O que estava havendo? Apenas uma ceia de ano novo em família, mas é claro que não era apenas isso. Nos últimos oito dias, convivemos juntos nessa casa depois de anos sem nos ver por mais que algumas horas, e com isso, esbarramos em segredos e mentiras capazes de destruir toda e qualquer relação familiar existente entre cada um de nós. Talvez o mais engraçado seja que nada disso estaria acontecendo se meus planos para as festas de fim de ano não tivessem mudado radicalmente de uma hora para a outra. Dizem que família que luta unida permanece unida, mas e a que mente unida? Todos os direitos reservados, plágio é crime!

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