Cante para mim

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WpMetadataReadTerminé dim., nov. 3, 2019
1939. Início da Segunda Guerra Mundial. Meri deixou para trás, apenas um bilhete em cima da cama. Enquanto seu passado bate à porta, tudo o que lhe resta são as cartas - trocadas em um período turbulento, no qual prefere esquecer. Até onde as palavras encobrem o silêncio de uma alma? - cartas fictícias escritas por Maíra Viana e Cristian Iutis
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#186
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Há histórias que não se contam, apenas se sentem. Algumas se agarram ao peito como cicatrizes, outras se dissolvem no tempo sem deixar rastros. Mas existem aquelas que, por mais que tentemos esquecer, queimam dentro de nós como brasas sob a pele, sussurrando lembranças que recusam o silêncio. Esta é uma dessas histórias. Eu poderia dizer que foi sobre amor, mas estaria mentindo. O amor verdadeiro não se perde tão fácil, não some sem aviso, não deixa um vazio que se preenche com ausências. Poderia dizer que foi sobre desejo, mas desejo sozinho não machuca assim. Poderia até afirmar que foi apenas um encontro casual entre dois corpos que se cruzaram no tempo errado, mas nunca foi só isso. O que vivi foi um incêndio sem controle, um sentimento que consumia tudo ao redor, que me fez arder, que me fez querer mais. E então, quando as chamas se extinguiram, só restaram cinzas-e eu tive que aprender a viver nelas. Este livro não é uma história de superação. Não é um pedido de socorro nem uma tentativa de apagar o que foi vivido. É um testemunho de tudo o que senti, sem filtros, sem arrependimentos. É a verdade nua de alguém que tentou ser forte, que tentou seguir em frente, mas que, no fundo, sempre soube que algumas marcas nunca somem. Se você chegou até aqui, esteja pronto. Porque certas histórias não têm final feliz. Têm apenas verdades, e algumas delas são impossíveis de carregar sem sangrar.

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