𝖬𝗒 𝖤𝗍𝖾𝗋𝗇𝖺𝗅 𝖵𝖺𝗆𝗉𝗂𝗋𝖾
𝘝𝘢𝘮𝘱𝘪𝘳𝘰.
Substantivo masculino. Do sérvio vampir, termo popularizado no século XVIII durante os surtos de histeria que varreram a Europa Oriental. A palavra foi registrada oficialmente pela primeira vez em documentos alemães e franceses por volta de 1730, quando a Igreja e a ciência tentaram explicar os casos de cadáveres que se levantavam dos túmulos, sugavam o sangue dos vivos e espalhavam pestes.
Mas eles já existiam muito antes de terem nome.
Muito antes de serem caçados, estudados ou romantizados. Muito antes de serem transformados em lendas infantis ou objetos de desejo. Eles caminhavam entre nós desde os primórdios da humanidade; silenciosos, belos, mortais. Criaturas que não nascem, mas são feitas. Que morrem e, mesmo assim, continuam existindo.
Não precisam de ar. Não precisam de comida. Não dormem. Não possuem reflexo. Seus corpos são frios, brancos como mármore antigo, e seus corações pararam de bater há séculos. O sol os enfraquece e queima. A prata envenena. O fogo os destrói. E o amor... o amor é a fraqueza mais perigosa de todas.
Porque quando um vampiro se apaixona, ele não ama.
Ele obceca.
E obsessão, para os mortos-vivos, é uma sentença eterna.
Esta é a história de um deles.
Quatrocentos e vinte anos de existência.
E de uma garota humana de dezessete anos que carregava nas veias algo perigoso demais: sangue que cheirava a dor, melancolia e desejo.
Bem-vindo a Berlim, 2005.
A noite está faminta.