Lâminas Perfeitas

Lâminas Perfeitas

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WpMetadataNoticeLast published Sun, Mar 24, 2019
O sangue corria e manchava o corpo e roupas da criança com sua cor sombria. Sangue era vida e mais e mais vida escapava pelo corte colossal na coxa esquerda da menina de cachos rebeldes e um olhar perdido. Ela ainda segurava a mão fria de sua mãe, a poça de sangue dela começava a secar e se tornar grudenta. Mas ela não se importava com o sangue da mãe, ou o dela, ou do assassino morto a sua frente. O som das armas se chocando ou os gritos da batalha tinham parado completamente a pouco. O silêncio presente era tanto quanto jamais tinha ouvido no castelo. Ela estava sozinha, sozinha e com corpos a cercando. O som de passos se aproximando a fez direcionar seu olhar a porta, mas diferente dos outros que passaram, o ritmo diminuiu cada vez mais. A maçaneta girou calmamente, como se já soubesse que ela estava ali. Um homem de vestes azul escuro e com uma máscara que cobria toda a parte superior da face surgiu. Ele caminhou até a garota calmamente, se abaixou em frente a ela ficando ambos da mesma altura. A garota o olhou de cima a baixo despida de medo, naquela noite já tinha presenciado várias mortes. Que diferença faria mais uma, que diferença faria a sua? O homem sorriu e tão logo A lâmina de sua adaga estava prensada contra a garganta dela, que Maia não conseguiu fazer nada sem ser esperar. Mas a pergunta que o homem lhe dirigiu a surpreendeu bem mais do que a possível morte dela. - Irá ousar viver?
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Duas almas atravessam o véu entre os vivos e os mortos no mesmo minuto, segundo e hora. Do mesmo dia, mês e ano. Sob a luz de uma lua de sangue. Uma delas segue o seu caminho e encontra a eternidade. A outra, com sede de sabedoria mesmo na morte, observa sua contraparte atravessar, mas ela não segue o mesmo caminho. Em vez disso, a alma curiosa, se aproxima do local de onde a outra veio, ela não vê muito, está turvo, como se estivesse debaixo d'água. A alma estende a mão, ela não consegue puxar de volta. Se ainda tivesse um corpo físico ela estaria franzindo as sobrancelhas enquanto faz força para soltar a mão de sua prisão invisível. A alma desiste. Ela se aproxima mais e passa uma perna, depois outra e então a cabeça. Derrepente, a alma esta sendo puxada, ela não sabe oque é aquilo ou como parar. Então ela flutua e flutua enquanto é arrastada pelo nada. E então tudo para. Ela sente dor, seu corpo todo protesta. Seu estômago geme de fome e ela não consegue respirar. Dois olhos cinzentos se abrem para a escuridão, apenas uma luz avermelhada iluminando o lugar, ela grita.

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