Querendo ou não sempre temos uma tendência a planejar coisas, desde coisas mais simples como um jantar, uma ida ao supermercado, um dia para colocar todas as matérias da escola em dia, uma viajem, um aniversário, até coisas maiores como por exemplo uma vida. Temos tudo na nossa cabeça, cada passo milimetricamente calculado, sabe-se exatamente onde é necessário um pouco mais atenção, em quais momentos as decisões devem ser tomadas, decisões essas que já foram meticulosamente analisadas. Como se fosse uma receita de bolo, que no final o produto sairá perfeito, tanto o sabor como a aparência, só que tem um pequeno detalhe... Nada é perfeito, nenhum plano é indiscutível, todos tem brechas, e é nessas brechas que as coisas acontecem, é ali que o bolo começa a ganhar suas primeiras marcas, porque é praticamente impossível um bolo crescer sem que rachaduras apareçam, e pra se conseguir um produto pelo menos plausível é necessário uma série de coisas, e bem, no auge dos meus 19 anos eu não sabia muito bem que coisas seriam essas.
- Ana Clara Caetano Costa
ISSO FOI HA UM MÊS - Eu so queria algo para acreditar, algo que fosse confiável. Que fosse meu. Estavam todos tão errados sobre mim. E em uma dessas viagens a procura do que era certo para mim, conheci uma pessoa Ellie Doe. Ela foi tão imprevisível quanto tempestade em pleno verão, tão inocente quanto criança esperando presente de nata aquele sorriso criou uma sensação tão desconcertante dentro de mim que tive medo de acreditar. Ela chegou toda tímida, sem interesses e eu estava como um fracassado esperando que ela me dissesse algo que me fizesse sorrir, não precisou de muito ela apenas me olhou meio desajeitada. Sim, era pouco tempo demais, estava completamente perdido, de novo. Aquele jeito frio me abandonou, e por incrível que pareça eu sentia falta dele. Porque eu sabia que me apaixonar por uma garota que conheci durante o Fim de semana, iria doer demais. Talvez eu estava tão desesperado que me deixei levar pelo primeiro sentimento frustrante que me surgiu. Ellie Doe Serio cara? Sem chances nem tente!
E ISSO SOU EU AGORA DEPOIS DO ACAMPAMENTO DE VERÃO.
- Me reconheça por favor- sussurrei.- me encontre, eu não estou tão perdido quanto parece
- Murphy! Aparece por favor- implorou Ellie.
- Aqui...- tentei um pouco mais alto.
- Aparece Murphy...- saiu meio falhada pela primeira vez.- eu te amo Murphy...
Ouvir aquilo me fez sorrir, eu estava sozinho mas via todo mundo, eu estava sangrando, conseguia sentir meus pulmões ficarem entupidos, estavam se fechando. Minha respiração falhava e uma constante vontade de chorar irradiava meu peito. Ela estava tão perto mas não podia me ouvir. Meus olhos começaram a se fechar, minhas mãos procuravam apoio.
- Também te amo Ellie.- e fechei os olhos. Foi quando senti uma mão quentinha encostar no meu peito acompanhada de uma voz feminina doce, era Ellie.
- Murphy!- seus braços me envolveram em um grande e confortável abraço. Naquele exato momento eu lutei para me manter vivo. Por ela.