dialogos internos

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WpMetadataNoticeÚltima publicación mié, ago 8, 2018
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Poesía
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Diálogos internos. Ao meu antigo eu, saudades. Percebi não o ver mais no espelho antigo do meu banheiro. Lembro-me de sempre encontrá-lo por lá. Confabulávamos sobre o quanto tudo se tornara difícil naqueles tempos. Ao meu antigo eu, tristeza. Tu entendes que foste demasiado cético e insensível Perdeste a ilusão do céu azul Não vias alegria ao acordar e respirar as manhãs preguiçosas. Ao meu antigo eu, vergonha. Ingênuo de propósito, como quem, assim, almeja se eximir da culpa. Carrego os pesos nos ombros hoje, por erros de outrora Como um condenado que sabe que arrepender-se não alivia cargas. Ao meu antigo eu, lembra-te de mim? Olhas no espelho e me procuras. Sabes da saudade, tristeza e vergonha que trago no rosto? Escondeste por isso? Ao meu antigo eu, quero encontrar-te. Num espelho ou nas linhas do meu velho caderno Onde escreveste um bilhete pra mim. O recado dizia: O passado é um espelho, e o futuro reflete.
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Você não queria estar aqui lendo esse monte de merdas; e, talvez, eu também não queria ter escrito essas coisas. Porque se existisse algo que fizesse-nos sentir úteis, a mísera possibilidade de possuir essa coisa, de bom grado, estaríamos doando até a nossa alma, ou o que restou dela. Não estaríamos perdendo tempo lendo essas coisas. Por favor, caro leitor, não demonizem os meus pensamentos, nem as minhas lembranças. O diabo é coisa séria, e eu não ousaria brincar com alguém que sente prazer em ter a companhia de outras pessoas; mas também é preciso ter o mínimo de decência, e vocês hão de concordar comigo, não é preciso trazer a tona a sua moralidade religiosa, subjugar palavras de um tolo que não tem nada para lhes oferecer. Eu tenho uma cabeça doente, a minha alma foi forjada pelo fogo da tristeza e da solidão. Isto não é um manifesto contra toda a distopia criada pela minha memória. São, apenas, palavras. Palavras soltas tentando remontar a minha memória; essa, sempre desconexa, que coexiste pelas lembranças de um passado desordenado, um presente difuso e um futuro, indecentemente, incerto. Hoje, eu já não sei mais o que eu sou, mas, um dia, eu já fui o Esteban.

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